Uncategorized

“As empresas não são máquinas, são organismos vivos, e para que possam se transformar, é preciso que parem de pensar como mecânicos e comecem a agir como jardineiros”.

(Peter Senge em The Dance of Change)

 

As empresas sofrem constantes pressões relacionadas à concorrência, clientes, fornecedores, colaboradores, conjunturas políticas e econômicas, etc. e para se adaptarem às novas exigências é necessário que se enxerguem como organismos vivos, com órgãos que agem e interagem inteligentemente, com rapidez e flexibilidade em função do todo.
Metodologias e ferramentas precisam ser desenvolvidas para conduzir os processos de mudança de forma a atender às reais necessidades das empresas. Em diversos casos, o discurso utilizado é moderno, mas as práticas e as ferramentas são antigas, não contribuindo para a mudança.O método conceitual (MOGGI e BURKHARD, 2005) apresentado a seguir contribui para a condução do processo de mudança de forma eficaz, classificando tudo o que existe em uma empresa em quatro níveis qualitativamente diferentes:
• Nível 1 – Recursos: inclui todo o físico, material e ocupa espaço como prédios máquinas, recursos humanos e financeiros.
• Nível 2 – Processos: permeia o nível dos recursos e compreende os fluxos vitais da empresa, como fluxos de matéria-prima, peças semiacabadas, peças prontas para montagem, documentos, informações, pessoas, dinheiro e outros fatores.
• Nível 3 – Relações: compreende tudo o que acontece entre as pessoas. É a alma ou o “astral” da organização, que se expressa no ambiente de trabalho. Não é visível como o nível de recursos e nem lógico e racional como o de processos.
• Nível 4 – Identidade: engloba aspectos como a biografia da empresa, cultura e seus valores, a missão e o sentido de sua existência, objetivos empresarias, seus mitos e ritos, os princípios de ação, a atitude perante o mundo, etc. Em outras palavras, é a essência da organização.
Os níveis dos recursos e dos processos exigem uma abordagem científica, ou seja, é a consciência dentro da qual estamos acostumados a raciocinar. A informática, a engenharia, o planejamento, o controle e a pesquisa operacional nos oferecem ajuda para atuar nesses dois níveis onde as questões são quantitativas.
O nível das relações diz respeito à consciência necessária para atuarmos eficazmente e poderia ser chamada de consciência social, artística, lúdica ou “inteligência emocional”. É o diálogo entre indivíduos, grupos e áreas. Em essência, é tudo o que acontece entre as pessoas e que influencia a eficácia da organização como um todo. Nesse caso, as pressões do meio ambiente invadem a empresa de maneira pouco controlável, onde a experiência de vida contribui muito para a atuação competente, e as questões são qualitativas.
O nível de identidade exige uma consciência holística para compreensão do contexto mais amplo e as questões são conceituais.
Cada um desses pontos exige a consciência e habilidades diferentes para a atuação eficaz dentro da empresa. Conforme cresce a hierarquia , mais necessária torna-se a atuação competente nos níveis das relações e da identidade. Os níveis de recursos e processos exigem inteligência e raciocínio, o nível das relações exige sensibilidade, ponderação e equilíbrio emocional e o nível da identidade, sabedoria e intuição.
Para obter sucesso em um processo de mudança, este deve ser planejado, patrocinado pela alta direção e contemplar o crescimento e o desenvolvimento das pessoas e da empresa em todos os níveis. A empresa só se desenvolve se as pessoas que a compões se desenvolverem e vice-versa. É neste momento que o coaching entra como facilitador do processo de mudança, já que seu objetivo é inspirar a maximização do potencial pessoal e profissional de líderes e suas equipes.
Conforme KRAUSZ (2007), “coaching é um tipo especial de colaboração que expande a consciência e a aprendizagem e permite a obtenção de resultados com menos esforço e em menos tempo”. Assim, o coaching atua no desenvolvimento de competências necessárias para alcançar os objetivos, por meio de ferramentas que incentivam a consciência da responsabilidade frente aos desafios e aos resultados do trabalho, contribuindo para melhor atuação líderes e suas equipes em um processo de mudança organizacional.
O desenvolvimento das lideranças é um dos fatores de sucesso de um processo de mudança e a utilização das ferramentas proporcionadas pelo coaching contribui para melhor condução das equipes ao longo do processo e para obtenção de resultados consistentes e sustentáveis, além de desenvolver competências como: autoconhecimento, autodesenvolvimento, abertura para o novo, superação de conflitos clareza de objetivos, feedback eficaz e facilitador, engajamento, comprometimento, alavancagem dos resultados operacionais, sinergia organizacional, aprendizagem contínua, atuação com mentalidade holístico-sistêmica, reflexo na qualidade das pessoas e da organização, relacionamentos focados em qualidade e resultados, melhoria contínua, lideranças efetivas. clima organizacional mais agradável e dinâmico, reforço da confiança e da credibilidade da organização entre outros.
Um estudo publicado pela revista Você S/A, realizado pela PUC- Campinas junto a dez executivos que passaram pelo processo de coaching, mostra que 100% deles aperfeiçoaram a capacidade de ouvir, 80% melhoraram a flexibilidade, 80% aprenderam a aceitar melhor as mudanças e 70% evoluíram a capacidade de relacionar. Outro estudo, publicado no Public Personnel Management Journal, verificou-se que os executivos que participaram deu um treinamento gerencial aumentaram em 22,4% sua produtividade, Já aqueles que passaram pelo processo de coaching, após esse treinamento, aumentaram sua produtividade em 88%.
Com a aplicação do processo de coaching nas organizações, fica comprovado que as competências emocionais são predominantes no exercício de liderança no dia a dia e, principalmente, em processos de mudança, pois contribuem para um melhor ambiente de trabalho e para o alcance dos resultados esperados. O coaching é importante, também, para despertar nos profissionais a motivação para continuar em permanente processo de crescimento pessoal e profissional.
O desenvolvimento de pessoas e de organizações por intermédio do coaching é e continuará sendo um grande diferencial competitivo, tanto para o profissional quanto para a empresa, devido à agilidade e à eficácia dos seus resultados, comprovados por estudos realizados ao longo do tempo.

MORENO K. Coaching: aceleração de resultados. São Paulo: Literare Books, 2017.

Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados *

limpar formulárioPostar Comentário